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Gualberto discorda da inclusão de governadores na CPI da Covid no Senado

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT), vice-presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), usou seu espaço virtual na sessão desta quarta-feira (14) para falar sobre a instalação da CPI da Covid-19 realizada ontem à noite no Senado, em Brasília. Gualberto acompanhou pela televisão toda a sessão de abertura da CPI e fez análises bem claras. “De um lado estão os senadores que querem apurar as omissões, os desvios administrativos, os negacionismos, todas as ações do governo federal que prejudicaram o início da vacinação, o atendimento à população, e culminaram com o numero de mortes que temos hoje no país. De outro estão os que querem atrapalhar as investigações”, disse.

Gualberto criticou os requerimentos apresentados pelos senadores Eduardo Girão (Podemos/CE) e Alessandro Vieira (Cidadania/SE). Os dois aliados do presidente Jair Bolsonaro pediram a inclusão de apuração dos estados e municípios. “A Constituição Federal não permite isso. A CPI tem que ter o tema determinado, o tempo específico e tem toda uma regulamentação legislativa. E isso tudo já está lá. Portanto, não foi aberta uma CPI incluindo estados e municípios na investigação. O que foi dito é que se existe uma questão que envolva recursos federais, isso também poderá ser apurado na CPI, mas não uma investigação direta nos estados e municípios”, explica o deputado. “Os que querem incluir estados e municípios na CPI, em verdade querem fazer uma confusão para que as ações da Presidência da República não estejam no centro das discussões”.

Gualberto afirma ainda que Alessandro Vieira quer livrar a pele do presidente da República, enquanto chefe de estado, para voltar a CPI para questões paroquiais de Sergipe. “A intenção dos dois senadores é muito clara. Querem aproveitar o momento para fazer o combate aos seus adversários estaduais, pois não conseguiram fazer anteriormente, mesmo contra os que sofreram com denúncias, como no caso de Aracaju, quando houve uma investigação inicial sobre o Hospital de Campanha, e que até esse momento não temos nada que comprove irregularidade nesse sentido”, adverte. “E o que se busca com a CPI é encontrar aqueles que contribuíram de fato com a política que transformou o Brasil neste grande cemitério onde morrem cerca de 4 mil pessoas por dia pela Covid-19”. Até agora, o país registra a marca de 360 mil mortos pelo vírus.

Sobre as questões estaduais, Francisco Gualberto assegura que não há irregularidades com a compra de respiradores através do Consórcio de governadores do Nordeste. “Não há acusação contra o governador Belivaldo Chagas. Essa é uma insistência inútil”, disse. Para ele, a CPI do Senado irá funcionar sim, e apurar por que as vacinas deveriam estar compradas desde agosto do ano passado, e não foram; por que faltou oxigênio em algumas regiões do país, além do kit de intubação e outros insumos hospitalares. “A CPI vai apurar as coisas grandes. Quem quer as coisas miúdas, para atender os seus interesses, me parece que não irá lograr sucesso”.

Nesta quarta-feira, a imprensa nacional já divulga que a CPI da Covid foi oficialmente criada para desgosto do governo Bolsonaro, e diante do leite derramado, o Palácio do Planalto articula o seu contra-ataque. A estratégia é de que os aliados do presidente Bolsonaro na comissão, sob o comando do presidente do PP, Ciro Nogueira, centrem fogo na discussão do uso dos recursos federais na pandemia pelas administrações estaduais — com foco nos governadores do Nordeste.

Além disso, Bolsonaro quer que três governadores da região sejam alvos prioritários dos seus artilheiros da comissão: os petistas Rui Costa, da Bahia, e Camilo Santana, do Ceará; mais Flávio Dino (PC do B), do Maranhão. Renan Calheiros Filho (MDB-AL) também entrará na mira dos bolsonaristas como forma de "cortar as asas" de seu pai, o senador Renan Calheiros, possível integrante da CPI.


Assessoria de Imprensa – Gilson Sousa – DRT 660/SE

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